7 de julho de 2020

Mesmo com Sisfron, clima de insegurança persiste na fronteira de MS

O contrabando de cigarro, drogas, armas proibidas e os altos índices de criminalidade e violência ainda são uma estigma na fronteira de Mato Grosso do Sul, nas linhas de divisa entre o Brasil e o Paraguai. As rotas clandestinas, que servem como planos de fuga para traficantes, são conhecidas em todo o país e a fama de ‘terra sem lei’ preocupa até mesmo quem vive nos grandes centros do país.

Em Mato Grosso do Sul, as carretas com contrabando entram com as cargas ilegais, principalmente, pela fronteira seca. Uma variação é o transporte em barcos pelo Rio Paraná, muitas vezes contornando o Parque de Ilha Grande, para descarregar em cidades paranaenses e sul-mato-grossenses que servem de entreposto.

A má fama da região refletiu em escândalo famoso envolvendo político do Estado. Logo que a defesa do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) começou a trabalhar a tese de que Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, armou para o petista, a primeira reação da família foi lembrar o estigma do Estado.

Se Delcídio foi preso por atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato, tentando influenciar no resultado e até oferecendo uma rota de fuga para Nestor, a família do ex-diretor aponta que recorreu à gravação dos planos do petista porque tinha medo de uma ‘queima de arquivo’.

No projeto elaborado pelo senador, Cerveró passaria por Mato Grosso do Sul, pela via terrestre até chegar ao Paraguai e, de lá, pegaria uma aeronave com destino à Espanha. Para a família, assim que o executivo passasse por solo sul-mato-grossense, o mesmo estaria ‘vulnerável’ e suscetível a ataques de ‘pistoleiros de aluguel’, muito comuns na fronteira entre os dois países.

No início do mês, por exemplo, Anderson Correia de Mendonça, 39 anos, mais conhecido como Feijoada, foi executado a tiros ao abrir portão de uma residência. O crime aconteceu na rua Eloa Vieira da Silva, no bairro Marambaia, em Ponta Porã, no dia 12 de fevereiro.

Conforme o site Porã News, ele foi executado por dois homens que estavam em uma motocicleta estrangeira. Eles bateram no portão, a vítima foi abrir e foi alvejada com vários disparos de uma pistola 9 milímetros. Neste caso, a polícia suspeita que o homicídio pode ter sido motivado por dívidas com o crime organizado.

Já na tarde de ontem (27), o ex-policial e irmão do deputado Nacional do Paraguai Marcial Lezcano (ANR) e do concejal (vereador) municipal José Ivo Lezcano (ANR), Águedo Ronaldo Lezcano Paredes, sofreu um atentado na cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero, fronteira com Ponta Porã (MS).

Investimentos

Em dezembro de 2014, o Exército Brasileiro implantou o projeto Sisfron (Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras), no município de Dourados, para tentar reduzir os índices de violência.  Conforme informações do Defesa Net, foram investidos R$ 12 bilhões do Governo Federal para monitorar as áreas de fronteira, assegurar o fluxo contínuo e seguro de dados entre diversos escalões da Força Terrestre.

O objetivo era produzir informações confiáveis e oportunas para a tomada de decisões, bem como atuar prontamente em ações de defesa ou contra delitos transfronteiriços e ambientais, em cumprimento aos dispositivos constitucionais e legais que regem o assunto, em operações isoladas ou em conjunto com as outras Forças Armadas ou em operações interagências, com outros órgãos governamentais.

Apesar dos investimentos no projeto pioneiro, a extensão da faixa de fronteira ainda é não está totalmente coberta e o clima de insegurança persiste na região. Ainda assim, a tecnologia empregada no sistema é exemplo e várias informações colhidas por ele estão sendo compartilhadas com outros países. No início do mês, uma comitiva com embaixadores e diplomatas da Arábia Saudita, Argélia, Catar, Egito, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Jordânia, Kuait, Líbano, Líbia, Liga Árabe, Marrocos, Mauritânia, Palestina, Sudão e Tunísia fizeram uma visita à sede do Sisfron para conhecê-lo.

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