Da RedaçãoA trajetória de Darcy Freitas, professor de Educação Física e futsal de Mato Grosso do Sul, começou nos campinhos de futebol do Bairro Costa e Silva, em Bela Vista, no início dos anos 1980. Nascido em 23 de janeiro de 1967, ele encontrou no esporte uma atividade que, com o passar dos anos, se transformaria em profissão e em um dos principais pilares de sua vida.
“O início da minha trajetória esportiva se deu no início dos anos 80, nos campinhos de pelada do Bairro Costa e Silva, em minha cidade. Já no ano de 1984, participei da minha primeira competição estadual, a Copa Morena Juvenil de Futsal, onde conquistamos a terceira colocação geral da competição”, relembra.
“ A partir daí, o caminho da minha vida já estava traçado. Era o que eu queria como modelo de vida. Cursei Educação Física e, mesmo com o passar dos anos, a motivação nunca deixou de florescer em mim”, completa.
Antes de se dedicar ao trabalho como professor de Educação Física, Darcy também passou pelo futebol profissional. Ele atuou por equipes de Mato Grosso do Sul durante aquele período e, posteriormente, voltou ao futsal, defendendo a cidade de Jardim em competições estaduais.
Foi nesse período que integrou o grupo responsável por uma sequência de títulos na Copa Morena. “Antes de ser professor de Educação Física, me aventurei como jogador de futebol profissional, jogando em importantes equipes do estado naquele período. Logo voltei ao futsal, jogando pela cidade de Jardim em competições estaduais, fazendo parte do grupo que conquistou o tetracampeonato da Copa Morena nos anos 90”, conta.
Para Darcy, entretanto, os resultados esportivos não são o único objetivo do trabalho desenvolvido com os alunos.
“Talvez o mais importante que conquistar títulos seja colaborar para a formação de alunos/atletas como cidadãos do bem e seguir o bom caminho na vida”, afirma.
A relação de Darcy com o esporte, porém, passou por um período de mudanças a partir do diagnóstico de coxartrose nos dois lados do quadril. A doença provocou dores e limitações nos movimentos, afetando diretamente uma rotina marcada pela prática de atividades físicas.
“O período mais conturbado da minha vida, com certeza, foi o diagnóstico de coxartrose nos dois lados do quadril, lesão que causa muita dor e, aos poucos, vai limitando nossos movimentos, impedindo que a vida esportiva sofra um impacto incrível, te obrigando a abrir mão daquilo que você mais ama fazer: praticar esportes”, relata.
No final de 2024, ele passou pela segunda cirurgia. Mais uma vez, a recuperação ocorreu sem complicações relacionadas ao procedimento, mas, posteriormente, Darcy enfrentou outro período difícil.
“A primeira cirurgia veio no final do ano de 2019, muito bem-sucedida, por sinal. Tive uma recuperação maravilhosa, com a garantia do médico de que o outro lado lesionado ainda aguentaria cinco anos. Já no final de 2024, realizamos a segunda cirurgia, igualmente bem-sucedida, tendo uma recuperação espantosa”, afirma.
Segundo Darcy, após a segunda cirurgia, uma crise de ansiedade contribuiu para o ganho de peso. Ele também relaciona o aumento de peso ao uso de corticoides no período pós-operatório. O peso chegou próximo dos 130 quilos.
“O problema maior viria a seguir: uma crise de ansiedade fez com que eu ganhasse bastante peso, juntando ao fato de ter ingerido bastante corticoides no pós-operatório, fator que me levou a chegar a quase 130 kg”, conta.
“Um ano após a cirurgia, elaborei um treinamento físico, aliado a uma reeducação alimentar. Os resultados foram excelentes. Hoje, oito meses após o início do tratamento, já foram 50 kg reduzidos”, relata.
A rotina adotada por Darcy passou a incluir atividades físicas diariamente. Ele cita caminhada e corrida na areia, exercícios abdominais e partidas de futebol ao longo da semana.
“Tenho uma rotina intensa de treinamento: são 70 km de bike diários, 1h20 de caminhada/corrida na areia, 600 abdominais e futebol três vezes na semana”, afirma.
Para ele, a mudança de peso exigiu continuidade e disciplina. Darcy destaca que o resultado não aconteceu de forma imediata e que o processo envolveu uma mudança diária de hábitos.
Após as duas cirurgias e o período de recuperação, Darcy afirma que retomou as atividades físicas. Hoje, mesmo utilizando duas próteses de quadril, diz conseguir correr, pedalar e jogar futebol.
“Logo após o processo de recuperação das cirurgias, levo uma vida normal. Mesmo com duas próteses, faço todos os movimentos e atividades físicas de uma pessoa normal. Corro, pedalo, jogo futebol. Enfim, trago comigo que nós determinamos aonde queremos e até onde podemos chegar. Tudo é questão de mentalizar e lutar pelos nossos objetivos”, afirma.
A experiência também passou a fazer parte da mensagem que Darcy procura transmitir a outras pessoas que enfrentam problemas semelhantes. Para ele, a colocação das próteses não significa necessariamente o encerramento das atividades físicas, mas pode representar uma mudança na forma de viver.
“Essa experiência eu procuro passar para as pessoas. Uma cirurgia de quadril não é o fim da vida, e sim o início de uma nova vida, sem dores, sem incômodos, sem limitações. Nós, seres humanos, somos dotados de uma força interior que muitas vezes nem nós sabemos que temos e, muitas vezes, deixamos de usar”, afirma.
Ao olhar para o próprio caminho, Darcy afirma que as dificuldades enfrentadas nos últimos anos representam mais uma etapa de uma trajetória marcada por desafios. Para ele, a principal mensagem está relacionada à persistência diante das adversidades.
“Eu diria para o Darcy: você, em nenhum momento, se curvou às adversidades que a vida lhe impôs. Essa foi somente mais uma vitória conquistada, dentre tantas que você teve na vida”, afirma.
Darcy também acredita que a experiência pode ser utilizada como exemplo para diferentes gerações. “Que a sua trajetória sirva de exemplo para os mais jovens e para adultos também. A fé e a esperança são combustíveis que nos movem. Em nenhum momento devemos deixar de acreditar em Deus e em nós mesmos”, conclui.
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