19 de janeiro de 2021

CHAMAMÉ

Hoje eu venho falar de um estilo musical muito conhecido no Mato Grosso do Sul.

Tradicional do Estado de Corrientes na Argentina, onde acontece todos os anos no mês de janeiro, o maior festival de chamamé da América do Sul, também é muito popular no Paraguai e nas regiões Sul e Centro-Oeste do Brasil.

Não existe uma origem única do estilo musical, pois ele surgiu através de criollos argentinos, povos indígenas guaranis e até de imigrantes europeus e a dança possui características diferenciadas em cada região.

Seu ritmo na Argentina é valsado. Ao lado da guarânia e polca paraguaia, guarda muitas semelhanças com a cultura guarani.

O chamamé quer dizer improvisação, por isto dançado sem regras de passos e ritmo.

Não existe um jeito único para a dança. O Chamamé Orillero possui influências do tango, o Chamamé Cangüí, com características tristes e sentimentais, sendo dançado lentamente e por último o Flowepot Chamamé, de ritmo vivo, é aquele habitual nos grupos de festivais.

O estilo possui uma origem controvérsia. Um dos primeiros chamamezeiros, Mario del Trancito Cocomarola dizia que o ritmo não se chamava chamamé e sim polca correntina. Alguns historiadores argumentavam que o estilo de dança é paraguaia, pois era constituída da mistura entre guarânia e polca.

A música desde o início, possuía uma identificação com um sentimento nacional argentino e era decorrente de uma versão dos estilos fronteiriços do mesmo país, mas também sempre foi intimamente ligada à polca paraguaia.

Os instrumentos tocados no chamamé são dois violões e um bandoneón, sendo que este último pode ser substituído pelo acordeon (sanfona), que existem dois tipos: a de oito baixos ou a de botão.

O ritmo popularizou no Brasil através de imigrantes correntinos e paraguaios, após a década de 50, que vieram trabalhar nas fazendas para a pecuária e durante o ciclo da erva mate, trazendo seus discos e fitas cassetes de chamamé.

Por isto ele é tão popular no Mato Grosso do Sul, sendo considerado um dos estilos musicais símbolo da nossa cultura, ao lado da polca, guarânia e rasqueado sul matogrossense.

O pioneiro no estado a tocar foi o saudoso Zé Corrêa, natural de Maracaju, que chegou a gravar um disco em São Paulo ao tocar ao lado de Délio e Delinha, fazendo sucesso com seu acordeon. Mas sua carreira infelizmente não durou muito tempo, pois ele morreu aos 29 anos.

O chamamé passou a fazer tanto sucesso no Mato Groso do Sul, que surgiram depois grandes músicos do estilo, como Dino Rocha, Marlon Maciel, Maciel Corrêa, Zezinho Nantes, Maurício Brito, Marcelo Loureiro, entre outros.

Anna Laura Gabinio

Jornalista, Produtora de Eventos e Cerimonialista

eventosannagabinio@gmail.com

@annagabinioeventos

 

 

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