27 de outubro de 2020

Com medo de desemprego, funcionários da JBS ocupam Assembleia

Deputados tentarão liminar para impedir paralisação da JBS

Em um protesto que durou três horas, centenas de funcionários da empresa JBS de Campo Grande desembarcaram em 40 ônibus fretados na Assembleia Legislativa durante a sessão desta quinta-feira (19). Com apitos, os trabalhadores reclamavam da ação movida pela CPI da JBS, que teve como efeito a paralisação das atividades das 8 plantas frigoríficas no Estado. Os parlamentares tentarão na Justiça uma liminar para impedir que a empresa pare de funcionar.

A empresa, por sua vez, negou em nota, que tenha patrocinado a manifestação, mas afirmou que apoiava o protesto dos trabalhadores. Presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Carnes e Derivados de Campo Grande, Wilson Gregório informou que mais de 4 mil trabalhadores eram esperados no Parque dos Poderes em um megaprotesto para pressionar os deputados estaduais a encontrarem uma solução diante do anúncio de suspensão das atividades do grupo.

Desde cedo, os trabalhadores deixaram as duas unidades da Capital e seguiram em ônibus fretados para a Assembleia. De acordo com Gregório, nesta quarta-feira (18) foram abatidas as últimas cabeças de gado nas unidades de Campo Grande e todos temem a perda dos empregos.

Cerca de 40% da produção da empresa acontece no Estado. A suspensão travou o mercado de boi gordo, que é o quarto maior rebanho do país, também segundo o Grupo J&F.

Parlamentares

Desde o início da sessão, que começou com atraso por conta do apitaço, os deputados foram vaiados. Os parlamentares anunciaram que o presidente da Casa, o deputado Junior Mochi (PMDB) marcou a reunião com Marcelo Zanata, vice-presidente da JBS para a tarde desta quinta.

Antes mesmo da reunião, o deputado Pedro Kemp (PT) anunciou que a empresa teria dito aos integrantes da CPI da JBS que está à disposição para negociar uma saída e garantiu que não há suspensão dos salários. O juiz responsável pelo bloqueio de bens também já marcou a audiência de conciliação para a próxima segunda-feira (23).

Presidente da CPI, o deputado estadual Paulo Correa (PR) foi alvo de vaias dos trabalhadores. O parlamentar chegou a parar em frente ao público, com as mãos nas costas, para ouvir as vaias passivamente. Em seguida, o deputado dirigiu-se à tribuna, de onde falava o petista Pedro Kemp, que explicava que a Casa estava em diálogo com a empresa em busca de solução para o impasse.

Por volta das 12h30, ao fim da sessão, os cerca de 40 ônibus fretados seguiram para a Praça do Rádio Clube. De lá, eles seguem em carreata pela Avenida Afonso Pena, 14 de Julho, 13 de Maio e Dom Aquino, onde retornarão a se concentrar na Praça do Rádio. Os trabalhadores também avaliam se farão um acampamento na Assembleia. Na dispersão, um funcionário passou mal por queda de pressão, foi socorrido pelos Bombeiros e encaminhado ao Centro de Reabilitação e Saúde do Bairro Tiradentes.

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