4 de dezembro de 2020

É Natal… É Natal, que beleza!

Natal bela-vistense dos anos 60.

Guris apostos. A beleza do mês Natal, encantava a todos. Dezembro num domingo qualquer dos anos 60!

Nesse momento cristão, nós guris nos divertíamos a valer. Missa do Galo, a meia noite, na Igreja Matriz Santo Afonso, creio que também, na Igreja Nossa Senhora Auxiliadora em Bella Vista Norte – Paraguai era rezada essa Santa Missa…

Se o Natal caísse num domingo, sábado, a véspera. Perus que se cuidem!

Mês de dezembro, era de alegria. Tito Ocariz, proprietário da loja “A Preferida”, fazia circular pelas principais ruas da cidade, uma charrete, um carro, todo enfeitado com motivos natalinos, e o Papai Noel, cumprimentando a todos. Estouros de foguetes, e no alto-falante as músicas natalinas, que bem poderia ser: “Anoiteceu, o sino gemeu, a gente ficou, feliz a rezar… Eu pensei, que todo mundo, fosse filho de Papai Noel”…

E los mitã’is (guri em guarani), correndo atrás do veículo natalino! Que festa!

Outras lojas eram enfeitadas. A alegria reinava, em todos os lares e pontos da cidade. Parentes, surgiam de todos os lados, para confraternizar o natal! As casas ficavam cheias.

Nós garotos, vivenciávamos toda aquela preparação para o dia natalino.

Véspera de natal, a meia-noite, creio que poucas casas faziam a “Ceia de Natal”. A expectativa mesmo era para a “Missa do Galo!” E essa missa era concorrida. A Igreja lotava. E nós guris, correndo e brincando na frente da igreja, muitas vezes quase trompando com os “curiangos”, que voavam baixo e rasante. E ouvindo o canto ou será o “berro” dos quero-quero!

Não me lembro de presépios, a não ser o da Igreja!

Quanto às árvores de natal, para nós, nessa gostosa cidade fronteiriça, chamada Bela Vista ou Bella Vista Norte no Paraguai, eram: Ingazeiros, Mangueiras, Jambeiros, Goiabeiras, Laranjeiras, Coqueiros, Paraíso e as luzes de enfeites, eram as estrelas, e uma maior que era a Lua! Quanto a fotografias, poucos tinham máquina fotográfica na época.

Nessa belezura de noite, nossos sapatos iam parar ou debaixo da cama, ou em nossas janelas, esperando o presente de Papai Noel! Quanta expectativa! Nem dormíamos direito. De manhasinha o canto do galo, a alvorada no quartel e o sino da missa das 06, na majestosa Igreja Santo Afonso, fazia-nos saltar da cama e corríamos para ver com o que, Papai Noel, nos havia presenteado.

Eram bugigangas, de todo jeito e cores; bolas, bonecas, chinelos, roupas, petecas, bolitas, pião, estilingue (funda), Pega Vareta, Ludo, revolver de espoleta (você já se esqueceu, do cheiro da espoleta deflagrada?), máscara do zorro, coisas simples, como deve ser o espírito de natalino! E tantas outras coisas.

Nesse mundo, com suas desigualdades, sabemos que muitos não recebiam seus presentes, mas ai, já é outra história. Após abrir os presentes e brincar muito, vinha o almoço.

Almoço Natalino, não podia faltar o Peru. Que partia dessa, para outra, grogue ou bebinho! Acompanhando o prato principal que era o Peru; macarronada, arroz de forno, carne de panela, maionese e o guaraná “Bom Gosto”, vindo de Aquidauana, da família Salamene, dava um sabor especial a todas essas delícias! E a sobremesa; Torta Paulista, americana, doce de ambrosia, de leite, e uma ou outra fruta cristalizada. Empanturrávamos-nos.

Esse clima natalino, com as imagens dos Três Reis Magos, cenas dos Presépios, o veículo da Loja “A preferida”, a Igreja, permanecia em nossas mentes juvenis até a entrada do novo ano.  E passados meio século, essas imagens natalinas, daqueles glamourosos anos, permanece em nossas mentes, como se fosse o próximo natal, que está pra chegar!

Como é bonito o tempo de Natal!

Um forte abraço a los viejos belavistenhos, e um feliz Natal a todos!

José Paulo da Silva Villalba

Servidor Público Federal da UFMS

Email: jpaulovillalba@yahoo.com.br

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