31 de outubro de 2020

Preso desde a madrugada, Delcídio presta depoimento à PF na Lava Jato

Senador é acusado de tentar obstruir investigação

Jéssica Benitez

O senador Delcídio do Amaral, líder da presidente da República Dilma Rousseff (PT), já prestou depoimento à Polícia Federal e permanece preso desde a madrugada desta quarta-feira (25). Ele é acusado de tentar obstruir trabalho da Operação Lava Jato, instaurada para apurar esquema de corrupção na Petrobras.

Nos depoimentos colhidos no decorrer da investigação o ex-diretor na estatal, Nestor Cerveró, citou o nome do petista na articulação para compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), contrato esse supostamente usado para desvio de dinheiro público e caso que desencadeou a Lava jato.

A prisão foi autorizada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) após denúncia de que Delcídio teria ofertado mesada de R$ 50 mil para que Cerveró não aceitasse delação premida, bem como não mencionasse seu nome à polícia. A conversa foi gravada por um filho do ex-diretor e repassada pela PGR (Procuradoria-Geral da República) ao Supremo para embasar o pedido de prisão.

O petista também traça rota de fuga ao depoente e afirma que o “foco” deve ser tirar o ex-diretor da Petrobras da prisão”. “Agora a hora que ele sair tem que ir embora mesmo”, sugere. O filho de Cerveró, então, cogita fugir pela Venezuela, mas o senador diz que seria melhor sair do Brasil pelo Paraguai, país que faz divisa com Mato Grosso do Sul.

O líder de Dilma segue preso em uma cela improvisada e 9 metros quadrados na sede da Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Caso solicite outra cela, ele deverá ir para a carceragem onde outros presos estão abrigados. É a primeira vez que um senador é preso no exercício do cargo. O gabinete dele e a liderança do governo no Senado foram alvos de busca e apreensão.

Além de Delcídio, também foram presos o chefe de gabinete dele, Diogo Ferreira, o advogado de Nestor Figueiró, Édson Ribeiro, e o banqueiro do BTG Pactual, André Esteves. A reportagem conversou com vários assessores do senador, de Campo Grande e Brasília, mas ninguém soube dizer o que está acontecendo. Eles alegam que tentam contato com o senador, mas não conseguem falar. (Com informações Globo News)

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