15 de janeiro de 2021

Servidor é dono de casa onde pedreiro achou U$ 17,5 mil e não será investigado

Ele teria vida compatível com o valor achado

Renata Portela

O dono da casa e dos 17,5 mil dólares encontrados por um pedreiro na Vila Carlota, durante demolição, não deverá ser investigado pela Polícia Civil, diz o delegado responsável pelo caso, Reginaldo Salomão. O homem, que seria um servidor público, mas não teve identidade revelada, tem vida compatível com o montante achado no fundo falso da parede, afirma a polícia.

Segundo o delegado Salomão, da Derf (Delegacia Especializada de Roubos e Furtos), não foi encontrada qualquer pista de enriquecimento ilícito por parte do dono da residência onde os dólares foram achados. Por isso, ele não será investigado pela polícia. O dinheiro recuperado, aproximadamente R$ 30 mil, metade do valor encontrado pelo pedreiro, está em uma conta judicial.

Os próximos passos para o encerramento do caso serão definidos pelo Poder Judiciário. Além da pena restritiva de direitos, o juiz pode arbitrar reparação de danos à vítima, ou seja, o pedreiro pode ainda ter que devolver em dinheiro o valor gasto ao dono da casa.

Achado não é roubado?

Segundo o delegado Salomão, conforme descrito no Código Penal, quem achar e se apropriar de tesouro em prédio alheio, deixando de restituir ao dono ou entregar à autoridade competente, delegado ou juiz, em 15 dias, passa a responder por furto.

Como o pedreiro passou mais de 15 dias em posse do dinheiro, ainda tentou escapar das investigações policiais trocando o dinheiro no câmbio paralelo e gastou parte do valor, ele foi autuado pelo furto, mas não foi preso.

Relembre o caso

Policiais da Derf conseguiram deter o pedreiro Francisco Soriano de Oliveira, de 51 anos, e o sobrinho Daniel Soriano da Silva, de 30 anos. Ele furtou dólares de uma casa que foi contratado para demolir.

Segundo o delegado Reginaldo Salomão, uma empresa de construção foi contratada para fazer a demolição de uma casa na Vila Carlota, no dia 31 de outubro. O pedreiro Francisco percebeu uma parede com fundo falso na cozinha e, ao verificar o que tinha dentro, encontrou os US$ 17,5 mil. De acordo com a polícia, ele guardou todas as notas na sacola de ferramentas e foi embora.

A Polícia Civil recebeu a informação de que alguém tentava vender a grande quantia de dólares no mercado negro e, a partir das investigações, chegou até um dos sobrinhos de Francisco, que confirmou que um primo estava vendendo os dólares com o tio. Os policiais chegaram então até Daniel, que acabou entregando Francisco, já que o tio se negava a dividir o dinheiro e chegou a ameaçá-lo de morte.

Conforme informações da polícia, o dinheiro totalizava aproximadamente R$ 60 mil. Francisco foi localizado e confirmou os fatos. Além disso, ele disse que gastou parte do dinheiro comprando uma Pampa e dando R$ 2 mil para cada um dos quatro filhos. A Polícia Civil conseguiu recuperar aproximadamente metade do dinheiro furtado. Tio e sobrinho foram ouvidos pela polícia e liberados, mas responderão pelo crime de furto qualificado e também pela venda dos dólares.

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