5 de agosto de 2021

Homenagem a Gentil Vargas da Rosa – Bela Vista

Homenagem a um Delegado de polícia.

(excertos adaptados de uma crônica publicada pelo autor, em agosto/2014)

Por Hiroshi Uyeda

Gentil Vargas da Rosa, um apaixonado por Bela Vista.

Por um longo período Bela Vista ficou sem Delegado de Polícia na década de 60. Tratava-se de um cargo quase desnecessário, em face da ínfima quantidade de ocorrências policiais. Nem mesmo brigas de casais ocorriam e, caso sucedessem, não produziam sérias consequências pois ficavam no âmbito familiar, incumbindo-se seus patriarcas de as resolverem.

Dificilmente alguém se candidatava a ocupar tal cargo. Era compreensível. Para desempenhá-lo o delegado poderia colocar-se em difícil situação ao tomar decisões, criando suscetibilidades entre famílias, todas conhecidas,

O salário não era nada compensatório e pago com habitual atraso. Como dizia o Sr, Gentil, um dos mais competentes delegados da década de 60, há pouco falecido: ¨pago para trabalhar¨. Para o seu preenchimento requisitos eram dispensados, tamanha a dificuldade de encontrar alguém com a coragem de aceitá-lo. Nem era necessário ser advogado. Todos sabiam dos riscos inerentes, na faixa de fronteira.

A Delegacia instalada em um pequeno promontório nos barrancos do Rio Apa, próxima da Praia do Pompílio era um prédio com pequenos cômodos e poucas celas.  Contava com contingente policial de poucos soldados, nem sempre fieis aos horários. Revezavam-se nos trabalhos de turnos apenas quando havia presos. As verbas de alimentação de presos não chegavam a tempo, cabendo ao Sr. Delegado a incumbência de alimentá-los às suas expensas.

A maioria dos presos não era de sentenciados. Era de pessoas envolvidas em brigas, bêbados e arruaceiros, geralmente no Baixadão, antiga zona de meretrício. Ficavam detidos nas celas até se refazerem dos pileques. Bastava uma noite. Recebiam, na saída, um sermão do Delegado na presença de algum familiar. Ocasionalmente, pois os familiares não se davam a esse trabalho, tamanha a habitualidade.

Raramente ocorriam acidentes de trânsito, pois se atrás de uma bola vem uma criança, também à frente de uma imensa poeira vem um veículo. Animais nas ruas, vacas, cavalos e cachorros fazendo papel de quebra molas, mantendo em constante alerta os motoristas.

Uma Bela Vista, digna de seu codinome Princesa do Apa, bela e formosa, na qual reinava imperiosa e tranquilamente, sem sobressaltos. Uma Bela Vista que pranteia a ausência de um ilustre filho, um Delegado exemplar, o mais antigo jogador de polo do Brasil e, também, um extrovertido e espirituoso companheiro..

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