30 de novembro de 2020

Nova Honda CB Twister enfrenta a veterana Yamaha Fazer

Guilherme Silveira e Arthur Caldeira / Agência INFOMOTO – FOTOS: Mario Villaescusa / Agência INFOMOTO

Se você começou a ler esse texto só para saber qual das duas 250 cc anda mais, pode parar por aqui! Saiba que em todas as situações durante a nossa avaliação, a nova Honda CB Twister saiu na frente da Yamaha Fazer 250. Até mesmo em retomadas de velocidade, a nova Honda deixou a veterana Yamaha para trás.

Dada esta informação, que não chega a ser fundamental, o fato é que a Fazer, com seus dez anos de estrada, finalmente encontrou uma concorrente à altura. Embora sinta o peso da idade, o projeto Yamaha ainda oferece características para se manter na briga por mais algum tempo.

Foi isso que mostrou nosso comparativo, quando rodamos com os modelos de 250cc na cidade e por mais de 200 km na estrada, alternado entre rodovias sinuosas de pista simples e largas auto-estradas para avaliar como Fazer e Twister se saíam em diversas situações. Os pilotos também se revezaram ao guidão das motos várias vezes.

Comparativo “estático”

Logo de cara, o modelo 2016 da Fazer Blueflex sai em desvantagem por não trazer a opção de freios ABS. Na “tabela”, a Fazer flexível sai por R$ 13.620, contra R$ 13.050 da nova Honda, também bicombustível, mas sem ABS. Entretanto a unidade da nova CB Twister, avaliada, tinha o sistema antitravamento e o preço sugerido de R$ 14.550.

A repaginada na Fazer para 2016 trouxe novas aletas no tanque e uma moldura no farol, além de um painel inédito. A unidade testada tinha uma bonita cor cinza fosca e grafismos elaborados – mesmo assim, o modelo Yamaha parece um velho conhecido. Já a Twister tem um desenho totalmente novo, inspirado na irmã maior, a CB 500F. O design agressivo é complementado por rodas e pneus mais largos.

Assim como a Twister, a Fazer adotou lanterna traseira com LED, em formato pontiagudo e de boa visibilidade. As duas usam tampas de abastecimento articuladas, tipo “aviação”, e têm bom acabamento, com comandos ergonômicos e simples nos punhos.

Porém, o painel da Honda se sobressai. Maior e escuro como as telas de smartphones, o mostrador da Twister é mais fácil de visualizar os dados. Na Fazer as informações aparecem em preto, com iluminação por LEDs, e a luz “Eco”, que indica pilotagem econômica ao rodar em giros mais baixos – e marchas mais altas. Porém, o painel da Yamaha carece de algum acabamento, e parece ter sido adaptado ali. O mostrador da Twister conta com molduras nas laterais.

Em cima das 250cc 

Na Fazer o banco tem formato anatômico – bom para deslocar o corpo em curvas – e é confortável. Porém, a base do tanque mais larga faz com que o piloto rode com as pernas mais abertas. Na Twister, o chassi é mais esguio e os joelhos ficam colados ao tanque. O modelo Honda tem banco mais baixo e um pouco mais “duro”, com 78,4 cm do solo (contra 80,5 cm da Yamaha).

Na Fazer o guidão fica mais para frente; o da Honda, mais recuado, permite uma posição de pilotagem com as costas mais retas. Ambas são motos pouco indicadas para pessoas acima de 1,80 m, mas confortáveis, com uma vantagem para a Yamaha, em função do banco mais aconchegante.

Ciclística

Sistemas de suspensão são semelhantes: dianteira com bengalas telescópicas sem ajustes e balança traseira monoamortecida. Porém, muda bastante os ajustes dos sistemas e a ancoragem do amortecedor traseiro à balança.

Enquanto a Yamaha usa um link, a Honda optou por usar duas molas no amortecedor que é fixado diretamente à balança: a mola menor amortece obstáculos menores, e outra mais comprida “segura” os maiores impactos.

Resultado é maior progressividade na Fazer, que pode se mostrar até macia demais. Na Honda, no entanto, se elimina manutenção posterior; tanto a de engraxar os rolamentos do sistema, como de trocá-los.

Nas diversas curvas de raio mais fechado, ambas se mostraram competentes. No entanto, com pneus mais largos (sem câmara e radial) e a suspensão mais rígida, a Honda transmite mais confiança. Porém, a Fazer absorveu desníveis de pista, com mais “maciez” do que na Honda.

Ambas adotam sistemas de freio a disco simples nos dois eixos. Bem modulados, garantem paradas seguras, mas com uma vantagem para a Twister, em função da segurança do ABS e de uma resposta mais instantânea.

Motor: duas ou quatro válvulas?

O comando de válvulas simples acionando quatro válvulas volta a ser usado pela Honda. Antes disso, tanto a antiga Twister de 250 cc como a CB 300, tinham como base o motor de duplo comando DOHC – que rendia melhor em altos giros. O novo motor SOHC da Twister gera potência maior (22,6 cv a 7.500), bem como torque superior, de 2,28 kgfm a 6.000 rpm – ambos usando etanol. Já o Yamaha de duas válvulas rende 20,9 cv a 8.000 rpm e 2,1 kgf.m a 6.500 rpm, também com o combustível vegetal.

Deixando números e medidas de lado, fato é que na prática, o tira-teima foi (em parte) decidido pelo câmbio de seis marchas da Twister, frente as cinco da transmissão da Fazer. Bem escalonada, a caixa da Honda permite acelerar e retomar velocidade de forma mais racional. Muito embora quem não goste de cambiar (e vai fazer uso sobretudo urbano), vai preferir a Fazer e sua boa dose de força nas cinco marchas.

Suave e elástico, o motor da Honda acaba conseguindo entregar a mesma força que a Yamaha. Ou seja, na faixa de uso mais comum na cidade, entre 3.000 e 5.000 rpm, consegue ser tão ou mais esperta que a Fazer, que se mostrou um pouco lenta para ganhar rotação. Ambas pesam 137 kg a seco e são ágeis nos desvios de trajetória e ao transitar em corredores urbanos.

Na estrada

Em rodovias rápidas, a diferença de desempenho chega a ser gritante: a 100 km/h em última marcha, a Fazer está perto de 6.600 rpm, contra 6.000 rpm da Honda. A vibração da Fazer acaba sendo maior, e a moto fica “esgoelada” pela quinta marcha: o corte eletrônico aparece a 147 km/h no velocímetro e 10.000 rpm, porém a velocidade real fica aquém disso. Na CB Tiwster, o corte acontece a 149 km/h e a 10.500 rpm, mas a impressão é de atingir 10 km/h a mais de máxima.

Com diversas trocas de pilotos (os quais tinham variação de 16 kg de peso), a Twister acabou levando a melhor: em diversas passagens feitas na rodovia, o conjunto motor/câmbio da Honda rendeu mais e se mostrou mais disposto em giros altos, deixando a Yamaha para trás.

Com tanques grandes o resultado de autonomia (e consumo) é animador. Na Twister cabem 16,5 litros enquanto a Yamaha tem capacidade para 18,5 litros. Com gasolina, a Twister rodou 33,97 km/litro, enquanto a Fazer chegou a 30 km/litro.

Conclusão

Ao final do comparativo, a nova CB Twister mostrou ser um projeto mais moderno e superior. Tanto visualmente, como pela mecânica mais esperta, acompanhada da caixa de seis marchas. Porém, a Yamaha oferece bastante conforto e excelente desempenho urbano, além de uma mecânica colocada à prova ao longo de uma década de estrada. Entretanto, a Fazer mostrou que já começa a sentir o peso da idade.

Pneus: com ou sem câmara? 

Durante o trajeto o pneu da Twister furou, mas conseguimos levar a moto rodando até um posto com borracharia. Lá notamos que havia um corte com cerca de 2 cm, bem entre as bandas de rodagem – e que esvaziava o pneu rapidamente.

Como se trata de um pneu radial sem câmara (Pirelli Diablo Rosso II), o remendo com “macarrão” foi simples e rápido, permitindo seguir viagem sem problema algum. Porém, a Pirelli adverte: “Recomendamos o conserto de pneus sem câmara utilizando os reparos tradicionais (remendos ou plugs), desde que o furo esteja limpo e preenchido. O uso do macarrão é indicado para consertos temporários e emergenciais e deve, assim que possível, ser substituído pelo reparo tradicional.”

Se fosse um pneu com câmara, seria necessário tirar e desmontar a roda para verificar (e remendar ou trocar) a câmara. O borracheiro disse “adorar a solução”, e de quebra completou: “câmara é coisa de pobre, até mesmo bicicletas das boas já usam pneus sem câmara”. O conserto custou R$ 30, menos do que é cobrado por câmaras novas; muitas vezes difíceis de encontrar na beira da estrada.

Fichas Técnicas

Honda CB Twister ABS
Motor    Monocilíndrico, OHC, quatro válvulas, arrefecido a ar com 249,5, cm³
Diâmetro x curso    71,0 x 63,0 mm
Taxa de compressão    9.6: 1
Potência máxima 22,4 cv a 7.500 rpm (gasolina) / 22,6 cv a 7.500 rpm (etanol)
Torque máximo 2,24 kgf.m a 6.000 rpm (gasolina ou etanol)
Câmbio seis marchas
Transmissão final Corrente
Alimentação Injeção eletrônica
Partida    Elétrica
Quadro    Tipo diamante em aço
Suspensão dianteira    Garfo telescópico (convencional) com 130 mm
Suspensão traseira mono-amortecida com mola dupla e 108 mm de curso
Freio dianteiro    Disco de 276 mm de diâmetro
Freio traseiro    Disco de 220 mm de diâmetro
Pneus (radial/sem câmara) 110/70-17 (diant.) e 140/70-17 (tras.)
Comprimento    2.065 mm
Largura    753 mm
Altura    1.072 mm
Distância entre-eixos    1.386mm
Distância do solo    192 mm
Altura do assento    784 mm
Peso a seco    137 kg
Tanque de combustível    16,5 litros
Cores    Vermelha (única cor disponível para a versão ABS)
Preço    R$ 14.550

Yamaha Fazer 250 BlueFlex
Motor    Monocilíndrico, 249,45 cm³, OHC, duas válvulas, refrigerado a ar
Diâmetro x curso    74,0 x 58,0 mm
Taxa de compressão    9.8: 1
Potência máxima    20,7 cv a 8.000 rpm (gasolina) / 20,9 cv a 8.000 rpm (etanol)
Torque máximo    2,09 kgf.m a 6.500 rpm (gasolina) / 2,10 kgf.m a 6.500 rpm
Câmbio    Cinco marchas
Transmissão final    por corrente
Alimentação    Injeção eletrônica.
Quadro    Berço duplo em aço
Suspensão    dianteira Garfo telescópico com 120 mm de curso
Suspensão traseira    Balança monoamortecida com 120 mm de curso
Freio dianteiro    Disco de 282 mm de diâmetro
Freio traseiro    Disco de 220 mm de diâmetro
Pneus (diagonal sem câmara) 100/80-17 (diant.)/130/70-17 (tras.)
Comprimento 2.065 mm
Largura 745 mm
Altura 1.065 mm
Entre Eixos 1.360 mm
Altura Mínima do Solo 190 mm
Altura do assento 805 mm
Tanque    18,5 litros (4,0 l na reserva).
Peso    a seco    137 kg
Preço    R$ 13.620

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